23 de maio de 2015

Educação, Vínculo e Comunicação


Hoje em dia, educadores, psicólogos, psicopedagogos, pais e mães, etc., têm utilizado muito uma palavra, bastante importante, mas ainda pouco compreendida: “vínculo”.

Todas as ações pedagógicas, sobretudo as que objetivam intervir sobre problemas de comportamento, buscam estabelecer vínculo entre o sujeito da intervenção (a criança, o adolescente...) e as instituições sociais (família, escola...). E, de fato, é o vinculo que a pessoa tem com as instituições das quais participa que a protege de comportamentos de evasão/rebelião. O problema é que estamos limitando a ideia de vinculo apenas à demonstração de afeto; e, por consequência, temos negligenciado outras dimensões tão ou mais importantes que o compõem.

Para que haja vínculo bem estabelecido (entre pessoa e instituição, entre pessoa e pessoa, etc.), são necessários três componentes: (1) Apego, (2) Investimento e (3) Empenho.
Apego diz respeito à dimensão afetiva, ao carinho que temos por algo ou alguém.
Investimento refere-se ao tempo compartilhado com pessoas ou instituições. Quanto tempo a criança passa na companhia de seus pais e irmãos? Quanto tempo passa na instituição escolar?
Empenho tem relação com o quanto o indivíduo se dedica e lança esforços na realização de atividades relacionadas à pessoa/instituição.
Quanto a criança tem se preocupado com a realização das tarefas escolares? O quanto ela responde positivamente a pedidos feitos pelos seus pais?

O vínculo é construído sobre estes três pilares, não apenas pelo afeto. Demonstrações de carinho entre criança e pais/educadores são, obviamente, sinais positivos e importantes, mas não significam, a princípio, que haja vínculos fortes entre eles. Não podemos parar em interpretações limitadas da realidade.

Photl.com


Mas como desenvolver vínculos fortes entre as pessoas? Como integrar apego, investimento e empenho, em prol do desenvolvimento de relações humanas sadias? Só há um caminho: a via da comunicação.

A comunicação perpassa e dá tom aos nossos modos de relacionamento interpessoal.
Nos meus trabalhos com adolescente, constatei que o grande problema da atualidade é a falta de comunicação. Nas famílias, de modo especial, observo que a comunicação acontece, muitas vezes, de forma superficial, quase sempre utilitária, isto é, conversa-se apenas sobre questões cotidianas: o que vai ter na janta, onde está determinado objeto, etc. Não se falam de sentimentos, de emoções, de expectativas, planos e projetos de futuro. Não se trocam experiências pessoais, íntimas. Pais e filhos pouco interagem, pouco se conhecem, e, consequentemente, ainda que denotem ter grande afeto, não possuem vínculos fortes.

 Para todos nós, mas, sobretudo, para a criança e o adolescente (que estão no período ótimo do desenvolvimento psicossocial), a comunicação é fundamental. “Quem não se comunica, se ‘trumbica’”, afirma o dito popular. Precisamos “destrumbicar” as nossas relações humanas a fim de construirmos vínculos fortes, saudáveis e positivos.

Portanto, para educar uma criança:
- dê afeto/amor
- gaste tempo, participe da sua vida, compartilhe momentos
- a incentive a se dedicar sempre mais àquilo que é importante
- dialogue


É papel de todo educador propiciar ao educando (aluno, filho, etc.) a oportunidade de desenvolver as próprias habilidades sociais, especialmente competências de comunicação.

A cultura do diálogo não é tarefa fácil, mas é enriquecedora. Nas nossas famílias, escolas, comunidades religiosas, empresas, é preciso semear grãos de comunicação: elaborar estratégias que permitam às pessoas estarem mais próximas, mais intima e firmemente “conectadas”.


Afinal, “conversando, a gente sempre se entende”.

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