7 de julho de 2015

“O que eu tenho, doutor?”

Considerações sobre a avaliação psicológica e a necessidade humana de dar nome à própria dor.

Imagem: morguefile.com

- “Eu tenho depressão! ”. 
Esta é uma das frases mais escutadas na clínica de Psicologia, logo no primeiro contato com o cliente. A pessoa busca o apoio psicológico já imbuída da crença de que possui determinado transtorno de saúde emocional.
Geralmente, antes mesmo de procurar o médico ou o psicólogo, a pessoa consulta a internet, para entender direito “o que ela tem”. Dar nome ao próprio mal-estar ou sofrimento é quase uma necessidade vital, tão importante quanto livrar-se deles, para grande parte das pessoas. E é aí que corremos o risco de, na busca por nomes e/ou rótulos psiquiátricos, acabarmos caindo no engodo de uma interpretação rasa da nossa realidade emocional.

Uma avaliação psicológica séria não combina com pressa!
Para entender o que está acontecendo com o cliente, o médico ou psicólogo precisa realizar investigação apurada. Não dá pra mal olhar na cara da pessoa e já afirmar se ela tem ou não tem depressão, por exemplo. O especialista investiga as circunstâncias presentes da vida da pessoa, hábitos de sono e de alimentação, prática de atividade física, histórico de doenças e tratamentos de saúde, uso de drogas e medicamentos, histórico de transtornos de saúde emocional na família, características do processo de desenvolvimento, etc. Além disso, analisa criteriosamente os sintomas relatados: duração, frequência, cronologia, intensidade. Apenas após investigação atenta e cuidadosa, pode-se, de fato, proferir um diagnóstico e indicar estratégias de tratamento/intervenção. Além disso, há instrumentos de avaliação padronizados (testes, escalas, etc.) que subsidiam a avaliação do profissional da saúde.

Não se contente com avaliações mal realizadas ou apressadas. Se não se perceber ouvido e acolhido, busque uma segunda opinião.
E não seja você o apressado! Na clínica, é extremamente comum certa urgência do cliente em saber o “nome” daquilo que está sentindo. Mas, mais importante que nomear é entender o processo que você está vivendo.

A cura, melhora dos sintomas e/ou mudanças de comportamento são resultados que precisam ser conquistados todo e cada dia, de acordo com o nosso próprio ritmo e com o do nosso corpo.


- Uma versão estendida deste texto pode ser encontrada em: https://psicologiaacessivel.net/2017/03/14/o-que-eu-tenho-doutor-visoes-acerca-da-avaliacao-psicologica-e-da-psicoterapia/

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