25 de março de 2015

Prevenção do Suicídio

Mais de um milhão de pessoas cometem suicídio a cada ano e há uma estimativa de cerca de 10 a 20 milhões de tentativas não fatais, neste mesmo período. O suicídio está, atualmente, na lista das 10 principais causas de morte no mundo. Segundo o “Mapa da Violência” de 2014, a taxa de suicídio de adolescentes no Brasil aumentou nos últimos 10 anos: 40% entre aqueles com idade entre 10 e 14 anos e 33% entre os jovens com idade entre os 15 e os 19 anos. A boa notícia é que, segundo o Centro de Valorização da Vida, 90% dos suicídios podem ser prevenidos! Portanto, nós precisamos conversar sobre o assunto...

Prevenção do Suicídio

O questionamento quanto ao valor e ao sentido da própria vida é, sobretudo diante de situações de crise, comum no ser humano, parte da nossa natureza. Todos já pensamos, ainda que rápida e instantaneamente, na morte como saída para as nossas realidades mais duras. Expressões como “eu vivo pra sofrer”, “não sei por que eu não morro”, entre outras, são costumeiramente repetidas nessas situações. No entanto, como temos preservados o equilíbrio psicológico e a saúde emocional, logo tais pensamentos são prontamente expulsos da nossa consciência.
Há pessoas, porém, que apresentam uma situação emocional mais delicada: já fragilizadas pela presença de algum transtorno de saúde emocional (especialmente a depressão), perdem a disposição interna e o potencial de se mobilizar pela própria preservação da saúde e da vida. E aí o suicídio se torna um risco eminente. No “fundo do poço”, sentimentos e pensamentos negativos dominam a consciência: sentimento de culpa e auto-condenação, baixa autoestima e não aceitação de si, desesperança etc. Ainda que não nos apercebamos, neste momento, a pessoa passa a, com o próprio comportamento, emitir uma série de pequenos pedidos de socorro. Estar atentos ao outro é, assim, o primeiro passo para a prevenção do suicídio.

Imagem: Photl.com

Passos para a Prevenção: O que podemos fazer?

(1) Observar mudanças no comportamento.

Qualquer mudança brusca e persistente no comportamento, mesmo que positiva, simboliza que algo está diferente do habitual. Assim, é importante estarmos sempre atentos ao comportamento dos que convivem conosco e com o nosso próprio comportamento. A pessoa deprimida pode perder o interesse por atividades que antes lhe davam muito prazer, deixar de cuidar de si e do próprio corpo, negligenciar relações pessoais que lhe são importantes, deixar de cumprir rotinas e hábitos cotidianos etc.
Em relação a si mesmo, é importante prestar atenção nos próprios pensamentos e tomar dileto cuidado com a frequência com a qual aparecem pensamentos de ideação suicida. Uma coisa é, em um momento de crise, considerar a possibilidade de morrer; outra, muito mais séria, é começar a “fazer planos” em relação a melhor forma de acabar com a própria vida. Nos dois casos: procure ajuda!

(2) Saber ouvir, acolher e não desqualificar o sofrimento do outro.

Nós precisamos aprender a escutar! Muitas vezes, é só isso que as pessoas precisam: alguém que as escute. Nós temos o péssimo hábito de já ouvir o que o outro nos diz pensando no que vamos responder. E, pior ainda, temos o hábito de desqualificar o sofrimento do outro: (a) “Isso passa, é bobagem. Você precisa querer se ajudar!” (b) “Você não tem motivos pra ficar triste, olha a vida que você tem; você não tem do que reclamar.” (c) “Olha a minha vida, então. Eu, sim, tinha motivos pra ter depressão. Mas superei tudo numa boa!”. Uma dica: essas frases - (a), (b), e (c) – e outras desse tipo não ajudam em nada!
Ninguém sabe o tamanho do sofrimento do outro, a não ser o próprio. Na nossa ânsia de falar, de dar a nossa opinião, nós colocamos sobre o outro um peso que ele não precisava, mais atrapalhamos que ajudamos. Saber ouvir é fundamental. Acolher o que o outro nos traz de si é revelar a ele o quanto ele é importante, por ser quem é, não por estar como está.

(3) Abandonar velhos mitos, preconceitos e estigmas.

Pra que a nossa ajuda seja eficaz é essencial, também, mudarmos o nosso jeito de pensar a depressão e o suicídio. Mais que isso: mudar nosso jeito de lidar com as pessoas.
Há um mito de que “quem quer se matar, vai e faz, não fica mandando recado”. É mentira! As pessoas enviam sinais, pedem socorro. Muitas vezes, o suicídio só é consumado depois de múltiplas tentativas fracassadas. Assim, quando houver histórico de tentativa de suicídio, é preciso que redobremos o cuidado e a atenção.
A pessoa com depressão não quer “chamar a atenção”. A pessoa com depressão quer alguém que lhe ajude, quer parar de sofrer.
Ter depressão não significa “não ter Deus no coração”, “não ter amor à família”. A depressão é uma doença. Todos nós estamos susceptíveis a ela. Não importa a nossa cor, religião, nível cultural, classe social.
Quando você está gripado, ninguém lhe manda parar de espirrar. Quando alguém tem depressão, não adianta mandar a pessoa “parar de ficar triste”.
Enquanto tratarmos a depressão como “frescura” e o suicídio como assunto tabu, não iremos avançar na compreensão desses fenômenos humanos, nada vamos fazer pelas pessoas, pelos nossos amigos, familiares, e por nós mesmos.

(4) Buscar ajuda especializada.

Sozinho nós não podemos nada. Há profissionais capacitados para lidar com transtornos de saúde emocional – médico, psicólogo, etc. Precisamos recorrer a eles. Especialmente quando a situação de crise fugir totalmente do nosso controle.
Há, ainda, diversas organizações que oferecem apoio emocional gratuito. O Centro de Valorização da Vida - CVV, por exemplo, é composto por um grupo de voluntários que são capacitados para ouvir pessoas que, abaladas emocionalmente, correm risco de morte. O CVV atende por telefone, pela internet e pessoalmente.
As Universidades, públicas e privadas, onde há o curso de Psicologia, costumeiramente oferecem à comunidade acolhimento e atendimento psicológico gratuito, como parte de suas atividades de Extensão.

Depressão tem cura! Procure os postos de ajuda da sua cidade! 


Danilo Ciconi é psicólogo clínico e atua na cidade de São João da Boa Vista – SP.

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