30 de março de 2015

"Selfie" Emocional

  
“No que você está pensando?”, pergunta a rede social.
 Deveríamos olhar com atenção e tentar responder com sinceridade a esta pergunta, dia-a-dia...

“Selfie” Emocional

Em era de internet e da ascensão das redes sociais online, compartilhar a própria vida se tornou hábito cotidiano. Grande parte dos nossos relacionamentos, atualmente, é vivenciada a base de curtidas, comentários e cutucadas na rede social. A tecnologia na ponta dos dedos deixou o mundo conectado.
Neste cenário global, o antigo autorretrato se revestiu de um nome americanizado e ganhou status de atividade obrigatória pra quem está inserido nas redes sociais. O “selfie” está dominando a rede (e o comportamento)!
            Creio que o sucesso do “selfie” vem da possibilidade de “autoajustamento”: os filtros dos programas de edição de imagem nos permitem corrigir qualquer “imperfeição” (aos nossos olhos) e apresentar aos outros apenas o nosso “melhor”. Retocar, aumentar o brilho, remover a vermelhidão dos olhos... Todo mundo aparece na rede social totalmente recauchutado.
            Vou considerar isto como vantagem, negligenciando aqui questões como a autoaceitação da própria imagem, a superficialidade das relações virtuais, os padrões de beleza socialmente impostos, entre outras consequências... Assim, o lado positivo do “selfie” é, a princípio, a contemplação da própria imagem e a oportunidade de se ajustar!


            Pena não haver “selfies” no campo da emoção! É algo extremamente necessário.

            Responda com sinceridade: qual foi a última vez que você se permitiu parar e olhar com atenção para suas próprias emoções?
            Cuidar das emoções é tão ou mais importante que cuidar do corpo e da aparência. Entender os processos humanos que estamos vivendo e nossa forma de reagir frente aos sabores e dissabores da vida nos faz mais preparados para enfrentar o mundo exterior, nos permite estar mais amadurecidos e livres nos nossos relacionamentos humanos.
            E é importante, também, saber identificar quando algo não está bem em nosso interior, para poder tomar providências no sentido de se ajustar. (No “selfie” emocional não basta apenas utilizar um filtro ou máscara, mas é importante intervir nas causas das nossas inquietações). Esta autocontemplação e autoavaliação das emoções é questão de prevenção dos transtornos e de promoção da saúde emocional.

            Portanto, pare! Diariamente, pare! Relaxe, medite, olhe pra você. Ninguém te conhece melhor que você mesmo. Só você pode dizer e ser grato pelas alegrias que a vida te dá. Assim como só você pode perceber os seus incômodos e tomar a atitude de buscar ajuda no momento oportuno e às pessoas certas.
           
            Segue algumas questões importantes para te ajudar no seu “Selfie” Emocional:
           
            - Há algo que te incomoda/te faz sofrer em você mesmo ou em alguma circunstância da sua vida?
            - Como está o seu interesse nas coisas, sua energia para se envolver em atividades individuais ou com as outras pessoas? O que desperta seu ânimo e seu interesse?
            - Você tem reagido de forma diferente do habitual frente a alguma situação aversiva? Está menos paciente ou mais irritadiço com as situações que te contrariam?
            - Você tem feito planos para o futuro? Ou tem vivido a mercê das circunstâncias?
            - Você costuma expressar suas emoções para as pessoas? Costuma manifestar suas opiniões, ideias, gostos e interesses? Ou assume uma atitude passiva quando faz parte de um grupo?
            - Há algo em você que te faz acreditar que precisa mudar? Quais são suas características de personalidade, como é o seu temperamento?
            - Liste três defeitos e três qualidades pessoais que você identifica em si mesmo.

            Escrever o que se descobre é uma boa maneira de começar a lidar de forma concreta com as próprias emoções. Assim como o registro fotográfico, procure registrar, pela via da palavra, suas próprias emoções – bilhetes, cartas, cadernos de anotação. A concretude nos ajuda a organizar e a manejar melhor nossas realidades interiores.
            Conversar com as outras pessoas (aquelas de sua confiança) sobre assuntos pessoais que lhe são importantes também ajuda a equilibrar as emoções. A comunicação eficaz é instrumento de libertação.

            Há um pensador que afirma que a viagem mais importante, mais longa, e mais perigosa é a viagem rumo ao próprio centro, rumo ao coração humano. Se aventure: faça esta viagem. Que o autoconhecimento te amadureça e te atente ao cuidado com a sua saúde emocional! 

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