7 de abril de 2015

Psicofobia

PSICOFOBIA é um nome moderno para um velho problema: o preconceito e a aversão às pessoas portadoras de algum transtorno de saúde emocional.


Ao longo dos séculos, as pessoas acometidas por algum transtorno viviam à margem da sociedade. Os sintomas eram atribuídos à ação de bruxas ou de demônios.
Com o desenvolvimento das Ciências Psi – Psiquiatria, Psicologia – houve uma mudança na forma de se tratar os sintomas. Estes não mais eram vistos como fruto de uma influencia maligna espiritual, mas, sim, a partir de uma perspectiva fisiológica.
Ainda assim, indiscriminadamente, era comum que as pessoas portadoras de transtornos de saúde emocional fossem retiradas da sociedade e asiladas em instituições psiquiátricas – os chamados “manicômios”.

Nas últimas décadas, o Movimento Antimanicomial tem lutado contra a institucionalização. As políticas públicas de saúde mental priorizam os tratamentos ambulatoriais, oferecidos, por exemplo, nos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS e nos Hospitais-Dia.
O dia 18 de maio é a data símbolo da luta antimanicomial.

A luta, no entanto, continua. E é por isso que precisamos conversar sobre o assunto...

Nós precisamos refinar o nosso olhar acerca das questões de saúde mental, cada vez mais presentes e frequentes em nosso dia a dia.
Ainda há muito preconceito, muita discriminação. E a única forma de combater velhos estereótipos é através da informação.

(1) O transtorno de saúde emocional é uma doença.
Ninguém escolhe ficar doente. Os transtornos de saúde emocional são resultado da interação de uma série de fatores: genéticos, biológicos, nutricionais, familiares, pessoais... Ninguém tem controle sobre todas as contingências envolvidas na produção de um transtorno psiquiátrico.

(2) A pessoa não escolhe sofrer ou parar de sofrer.
Não é “frescura”, não é covardia, não é “pra chamar a atenção”. A pessoa não está doente porque quer. Ninguém ataca uma pessoa ou a manda parar de espirrar quando está com gripe. Igualmente, não adianta atacar ou mandar uma pessoa com depressão parar de sofrer.

(3) Todos nós estamos susceptíveis.
Como eu já disse, o transtorno de saúde emocional é fruto da interação de uma série de fatores biopsicossociais, sobre os quais não temos total ciência e controle. Assim, qualquer um de nós está susceptível.
O transtorno mental não escolhe idade, sexo, cor de pele, religião.
Os transtornos de saúde emocional atingem pessoas. Se você é uma pessoa, você está aberto a alterações nas suas emoções.
É óbvio que podemos prevenir, assim como podemos prevenir pegar gripe. Alimentação saudável, atividade física regular, reconhecimento e manejo das próprias emoções... A prevenção é possível. A assepsia, não.
Várias personalidades do meio artístico e social já narraram suas experiências com os transtornos de saúde emocional. A atriz Cássia Kis Magro participou de campanha de conscientização, promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), na qual contou acerca da sua vivência com a bipolaridade e a bulimia. No universo religioso, o padre Marcelo Rossi tem pregado sobre sua experiência pessoal com a depressão e como, após esta, ele próprio superou alguns preconceitos e falsas concepções acerca desse transtorno. Vários famosos e personalidades públicas têm divulgado suas histórias, em prol da informação e da conscientização.

Segue campanha da Organização Mundial da Saúde sobre a Depressão (vale a pena assistir!):


Eu sei que o cuidado e a atenção às pessoas com transtornos de saúde emocional é intensivo e, portanto, difícil. Mas isso não legitima agressões e preconceitos. E estes não colaboram em nada com a melhora do quadro psiquiátrico.
Além de que, “de perto, ninguém é normal”...

#AbraASuaMente #PsicofobiaÉUmCrime

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