1 de agosto de 2016

Empatia

Empatia tem mais a ver com escutar, que com falar. É olhar devagar. É silenciar a própria confusão interior para perceber e fazer-se presente na confusão do outro, não para intervir nela, mas, apenas, para conhecê-la em profundidade e diminuir a solidão daquele que se encontra perdido ali.

Já refletimos aqui sobre quanto, na atualidade, é comum que as pessoas se sintam solitárias e que isto é resultado, entre outros fatores, de falhas nos nossos hábitos de comunicação.

A condição de perceber-se sozinho se agrava, ainda mais, diante de situações de dor e sofrimento, ainda que, efetiva e aparentemente, seja nestes momentos que as pessoas potencialmente mais procurem se aproximar de nós. Todavia, estar fisicamente presente não significa, na prática, representar verdadeira companhia.

Apesar da presença física de outrem, muitas vezes, ainda nos sentimos sozinhos. Ou melhor, nos sentimos incompreendidos. E é aí que aparece a questão da empatia.
Diante da dor de alguém, costumeiramente, nos cobramos ter algo a dizer ou a oferecer como ajuda e consolação. Mas, precisamos admitir, palavras ou gestos geralmente pouco podem fazer de imediato por alguém que sofre.

O que o outro precisa é de acolhimento, compreensão e presença que expresse segurança. Em outras palavras, empatia.

Empatia tem mais a ver com escutar, que com falar. É olhar devagar. É silenciar a própria confusão interior para perceber e fazer-se presente na confusão do outro, não para intervir nela, mas, apenas, para conhecê-la em profundidade e diminuir a solidão daquele que se encontra perdido ali.
É uma habilidade rara e que exige de nós uma sutileza apurada.

Assim, mais que procurar apresentar respostas, frente à dor vivenciada por um amigo ou ente querido, faz-se primordial apresentar o aconchego de uma escuta sincera e de uma presença espontaneamente carinhosa. Julgamentos, ainda mais, sem sombra de dúvidas, não cabem ali.
Ao reestruturar as próprias emoções e seguir adiante, aí, sim, o outro é capaz de refletir com relativa precisão e, somente aí, é possível tentar oferecer caminhos e respostas para sua apreciação. Mas isto vem com o tempo e a partir da confiança estabelecida em um relacionamento coeso e equilibrado.

Empatia é permitir-se esperar que o outro reaja frente às adversidades e, enquanto isso, apenas estar ali, próximo, demonstrando consideração sincera pelos conteúdos e pela forma como a pessoa se apresenta. Exige tempo, doação, comprometimento.
Mas é a forma mais bonita e eficaz de tornar a vida do outro melhor e menos só. Mais ainda, de tornar nossa própria vida assim.


Relacionar-se com espontaneidade é o caminho para se estabelecer os mais fortes laços.

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